Madeireiros impedem retirada de madeira ilegal no Pará

 Publicada em 19/02/2008 às 22h38mRonaldo Brasiliense – O Globo; ORM.com  BELÉM – A situação ficou tensa nesta terça-feira no município de Tailândia, no Pará. Madeireiros que foram multados e tiveram apreendidos mais de 15 mil metros cúbicos de madeira na operação Guardiões da Amazônia, do governo estadual do Pará, impediram a saída de 15 caminhões carregados com a madeira que seria transferida para Belém. Cerca de 10 mil pessoas, insufladas pelos nadeireiros, entraram em confronto com a polícia, bloquearam a rodovia PA-150, que dá acesso ao município, atearam fogo em uma ponte e tentaram invadir a prefeitura. O Batalhão de Choque da PM foi atacado com pedras e respondeu com bombas de efeito moral. Segundo o Ibama, os donos de serrarias também ameaçam demitir funcionários devido às apreensões. Por causa da forte reação, o governo federal adiou o início da operação Arco de Fogo, de combate aos desmatamentos Amazônia, prevista para começar nesta quinta. O dia em que ela começará não foi divulgado. ” Dados da inteligência recomendaram uma readequação dos nossos planos “



- Dados da inteligência recomendaram uma readequação dos nossos planos – disse o diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. O Batalhão de Choque da PM foi chamado para o local e conseguiu resgatar seis fiscais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente que organizavam a retirada dos caminhões mas que foram presos dentro da madeireira Taiplac, sob ameaça de agressão. - Eles não só estão impedindo a passagem de veículos como partiram para depredar a Prefeitura, mas conseguimos evitar. De lá, fugiram para depredar outros prédios públicos. Eles voltaram para a ponte, mas ninguém ficou ferido – disse o Major Neil Duarte, subcomandante do Batalhão de Choque da PM, durante a confusão. Fiscais da Secretaria de meio Ambiente do Pará (Sema) ficaram duas horas em cárcere privado na serraria Tailaminas Plac Ltda, de Flávio Sufredini, onde foram apreendidos 822 metros cúbicos de madeira. Os fiscais só foram resgatados após a chegada do batalhão de choque da Polícia Militar. Foram fechados os acessos aos pátios das madeireiras Taiplac, Primavera e G.M Sufredini Industrial, que sofreram as maiores baixas na operação. Na Taiplac, os fiscais do Ibama encontraram mais de 5 mil metros cúbicos de toras armazenadas, todas cortadas ilegalmente. ” Tivemos que deixar Tailândia só com a roupa do corpo “



- Tivemos que deixar Tailândia só com a roupa do corpo – contou a fiscal Deuza Aquino, que foi transportada com outros cinco funcionários da Sema até a sede do município de Goianésia sob escolta policial. Cerca de 120 homens do Batalhão de Choque da PM fizeram a segurança no local, mas até o início da noite aguardavam a chegada de outros 200 oficiais. Operação apreendeu mais de 10 mil metros cúbicos de madeira irregular A operação Guardiões da Amazônia começou no dia 11 de fevereiro e acontece em parceira entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). Desde o início da ação, já foram fiscalizadas e autuadas dez serrarias no estado, além de uma carvoaria e uma mineração de areia que funcionavam sem licença ambiental. Tailândia não está na lista dos 150 maiores devastadores de floresta do Brasil, mas é um pólo madeireiro com 150 serrarias, voltado para exportação. Dos 150 devastadores, 36 terão a fiscalização intensificada, já que são áreas de grandes índices de desmatamento. No Pará, 12 municipios serão fiscalizados pelos órgãos competentes.

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